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  • Carolina Barros

Coca-Cola: diversidade é vetor de crescimento

Fonte: Meio&Mensagem

Imagem: (Reprodução)

Desde o mês de agosto, a Coca-Cola Brasil possui uma diretora de diversidade e inclusão. A posição passou a ser ocupada por Marina Peixoto, que não é nova na companhia, onde atua há 17 anos, mas sua posição e a importância que ela terá sim, merecem destaque. Tanto, que ela voltou da matriz, em Atlanta, em junho, onde já ajudava a colocar lentes de sustentabilidade e propósito na arquitetura das marcas.  Ela conta que trabalhou com times diversos e morava perto da casa onde nasceu Martin Luther King.


Mesmo antes de ir para lá, sempre fez parte do comitê de diversidade da companhia, quando ele surgiu no País, em 2011, inicialmente, com uma agenda sobre equidade de gênero. O nascimento da filha, com síndrome de Down, fez Marina entrar também na agenda de PCDs. “Na volta de Atlanta, fiquei ainda mais sensível à essa agenda e fiquei muito feliz agora de ter essa oportunidade numa diretoria de diversidade e inclusão, de poder voltar trabalhar com o tema fundamental em toda e qq empresa que queria crescer daqui para frente”, diz Marina.


A executiva ressalta que para mudar questões como o racismo estrutural é preciso mudar a cultura e isso, numa empresa, só ocorre com o engajamento das lideranças e da implementação de outros pilares, como capacitação, sensibilização, educação, treinamento, e ações afirmativas. “Diversidade é um vetor de crescimento, é uma agenda do negócio. É agenda de pessoas, mas deveria passar por toda as áreas dos negócios”, defende Marina.


Por isso, na companhia em que atua o tema orbita em duas macroestratégias, uma cultural (ser tão diversa quanto a comunidade que serve e ter cultura inclusiva que permita alavancar o potencial dessa diversidade dentro de casa) e uma lente de propósito, que no caso da Coca-Cola é “refrescar o mundo e fazer a diferença”, também no tema diversidade e inclusão via marcas e parceiros, porque, lembra a diretora, não será uma única ação que mudará anos de história, mas um conjunto de ações sistemáticas.


E ter uma diretoria específica para isso ajudará a aglutinar os quatro grupos de afinidades que atuam nessa frente – mulheres, raça, LGBTQIA+ e PCDs – que reúnem cerca de 70 voluntários e potencializar as trocas e aprendizados para acelerar as agendas de cada um deles, mas com uma visão integradora, de Marina e acesso direto à alta liderança, que, aliás, tem passado por mentorias reversas com membros desses diferentes grupos.


Compromisso histórico


Marina Peixoto relembrou vários momentos da história da companhia para lembrar que se os resultados ainda não são suficientes, por outro lado, a causa da diversidade  e inclusão não vem de hoje na companhia. Ela lembrou que em 1934, a Coca-Cola foi a primeira empresa a ter uma mulher no conselho de administração. Em 1955, a primeira a retratar negros em peças publicitárias em apoio à igualdade dos direitos civis nos EUA.

“Nos anos 1960, houve um caso emblemático de apoio a Martin Luther King e sua causa”, comentou, contando que quando Dr. King ganhou o Nobel, em 1964, haveria um jantar em sua homenagem, mas poucos estavam comprando os ingressos.

O CEO global da companhia à época discursou: “É constrangedor para a Coca-Cola estar localizada numa cidade que se recusa a homenagear um ganhador de prêmio Nobel. Somos uma empresa internacional. A Coca-Cola não precisa de Atlanta e todos vocês precisam pensar se Atlanta precisa da Coca-Cola Company”. Depois de sua fala, conta Marina, os ingressos foram todos vendidos e houve uma bela cerimônia.


Na comunicação, outro momento icônico foi a campanha “Boys on a bench”, de 1969, a primeira a apresentar jovens brancos e negros compartilhando um momento juntos. Em 1986, a empresa chegou a retirar os negócios da África do Sul, em apoio à luta contra o Apartheid. E pulando para 2020, após a morte de George Floyd, em Minnesota, Marina diz que a mensagem “Together we must” reflete um chamamento de todas as áreas da empresa para o combate ao racismo estrutural.


No Brasil, esta e outras questões têm envolvido a liderança desde o CEO, Henrique Braun, tendo o papel segundo Marina essencial de áreas funcionais, como o RH, além da comunicação corporativa e sustentabilidade. Além, claro, da própria ação dos grupos de afinidade citados, cujo trabalho tem resultado em conquistas como ter 54% de mulheres no total de funcionários e 51% em cargos de liderança (gerência para cima), assim como equilíbrio de salários em todos os níveis hierárquicos.


Ao ser instigada a citar uma ação da companhia no País em que essa diversidade interna tenha tido reflexos externos, lembra da campanha “Essa Coca é Fanta”, de 2017. Na verdade, diz, tratava-se de uma ação interna para celebrar, em junho, o Dia do Orgulho LGBT. A empresa fez 100 latinhas e distribuiu entre os funcionários de seu prédio na praia de Botafogo.  


O primeiro colaborador fez um post no Facebook às 9h e às 11h, lembra Marina, já tinha todos os veículos de imprensa ligando, querendo um posicionamento da marca e entender a ação, que atingiu mais de 100 milhões de pessoas, com postagens e um bilhão de impressões digitais. “Gente da Coca no Japão me ligou para perguntar o que era a ação. Sem falar japonês, e me virando no inglês, tive de explicar que era uma expressão pejorativa ressignificada pela marca”, conta a nova diretora de diversidade e inclusão da empresa, que garante não ter imaginado a repercussão externa que a ação teria.


Longe do ideal, mas feliz com sua nova jornada e a possibilidade de contribuir com o avanço dessa agenda, na Coca e no Brasil.


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